Softwares de Escrita que Você Já Conhece e Alguns que Você Deveria Conhecer

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Como eu mencionei semana passada, a minha experiência começando a escrever foi dificultada pela minha falta de familiaridade com o software que eu estava usando. Acho que não há algum programa inerentemente superior a outro: há o que dá certo para você. Pensando nisso, já testei  vários softwares diferentes, e trago aqui os que eu achei mais relevantes, para te ajudar, Ficcionado, a achar algo que te ajude a escrever mais e mais.

 

Word


O começo de tudo é, sim, o Word. Todo mundo já usou, e estimo (como me ensinaram na faculdade, engenheiro não chuta: estima) que mais da metade de quem está lendo isso aqui deve ter o Office no computador.

 

O Word não é um software feito para escrever livros. É um programa mais voltado para documentos menores, com um foco em formatação, diagramação, e correção ortográfica. E, nesses três, ele é imbatível. Em português, especialmente, é difícil encontrar bons softwares que já corrijam seu português. Há uma série de plugins que você pode baixar, a maioria caros e dependentes do próprio Word. Em inglês temos várias opções muito interessantes, algumas já até tentando melhorar o estilo do autor, como o Hemingway e o Smart Edit, mas em português as opções são bem mais limitadas. Menos escritores na língua, menos ferramentas.

 

Além destes, uma ferramenta muito útil para escritores é o modo de edição, onde alguém (possivelmente o próprio autor) consegue fazer notas no texto e sugerir mudanças. Esta é uma função bastante útil, principalmente para propor modificações para o trabalho de outra pessoa, que pode escolher entre aceitar ou recusar as suas sugestões.

Mais ou menos assim

 

Se você usa o Word e não conhece este tipo de função, vale a pena pesquisar a respeito. Mexa nas opções e abas, procure tutoriais, tente usar tudo: na minha experiência, esseé o melhor jeito de aprender a usa um software novo (só não faça isso com um documento importante, eu não me responsabilizo se você acidentalmente deletar tudo…)

 

Mas, de novo, o Word não foi feito pensando em escrever livros. Sendo assim, arquivos muito grandes podem travar, e é difícil se organizar dentro dele. Se você for usar só o Word, recomendo criar vários arquivos, um para cada cena, ou para cada capítulo, e deixá-los organizados em pastas. É uma solução viável, mas ainda um tanto desorganizada… Se você fica incomodado por ter cinco ou seis janelas abertas ao mesmo tempo, continue lendo este artigo para opções mais interessantes.

 

E, também, o corretor do Word é muito legal e tal, mas se você escreve fantasia ele pode acabar se tornando um pouco incômodo.

 

 

Finalmente, possivelmente a maior desvantagem do word é que ele não é especialmente barato.

 

Paralelos do Word

Se o preço é um grande limitador para você, há a opções gratuitas e open-source, como o OpenOffice. Não é tão polido quanto o Word, mas a experiência é bem parecida.

 

Ou, ainda, uma opção muito legal é usar o Google Docs. Diferente dos outros softwares citados, este funciona inteiramente dentro do seu browser (na janela da internet; ou seja, você não precisa baixar e instalar nada), e tem a vantagem de já ser salvo na nuvem. Os arquivos ficam dentro do seu Google Drive (se você tem uma conta do gmail você já tem acesso a isso), de forma que não há chance de eles serem perdidos por uma falha no seu computador. E, além disso, você pode escrever e editar a partir de qualquer computador com internet, até mesmo do celular. As funções são bastante completas, até o corretor gramatical.

 

Como eu tinha mencionado anteriormente, a ferramenta de comentários e edição do Word é bastante interessante para fazer sugestões nos documentos dos outros. Com o Docs, isto é ainda mais fácil: você pode passar um link do seu documento para outras pessoas, que podem editar e fazer comentários. Esta ferramenta é muito interessante para editar textos com múltiplos autores, receber feedback de beta-leitores, com a vantagem clara de ser tudo feito simultaneamente, sem precisar ficar enviando arquivos diferentes, confundido as dezenas de versões que surgem com isso.

 

Softwares Mais Simples


Um software como o Word pode ser um tanto… Opressivo, talvez. Você abre a janela e tem centenas de opções e ferramentas, mas no final tudo que você quer de um software é simplesmente a capacidade de escrever. Quem sabe você confie muito na sua capacidade gramatical, ou se distraia muito com as dezenas de funções e perca o foco.

 

Se este for o caso, há várias alternativas para você. Existe uma linha de programas focados no foco do autor, nas escrita e só a escrita, sem distração, sem nada. Esses softwares usualmente não são muito interessantes para exportar seu arquivo e deixá-lo bonitinho e formatado, mas na hora de escrever podem ser muito legais. A maioria destes, como o Word, é focada em fazer um arquivo pequeno por vez.

Pesquisando se acha vários, a maioria gratuita. Eu pessoalmente usei por um tempo razoável o FocusWriter. Ele basicamente transforma toda a sua tela em um espaço só de escrita, sem a chance de janelas saltando e te distraindo. É simples e faz o trabalho bem feito. Se você tem problemas de concentração, e fica desviando os olhos para o ícone do Chrome e se vê checando o Facebook enquanto deveria estar escrevendo, vale a pena experimentar.

 

 

Softwares Específicos para Escritores


Como mencionei, o Word não foi criado pensando em escrever livros. Agora existem, sim, vários softwares com o propósito específico de escrever livros, alguns deles inclusive pensando em escrever romances de ficção.

 

Writemonkey

Uma opção que fica entre esses softwares simples mencionados anteriormente e algo mais específico e robusto é o Writemonkey. De início parece um programa mais simples, voltado à produção textual sem distrações, mas o usuário curioso encontra nele uma série de funções avançadas e customizações, plugins, etc. É mais difícil de usar, requer pesquisa e se adaptar mais do que os outros, mas recebe vários elogios, e, melhor de tudo, é grátis. Se você tem paciência e quer aprender algo novo, vale a pena.

 

Scrivener

 

Já mencionamos o Scrivener algumas vezes aqui no Ficcionados, e não foi por acaso. Este software é um dos feitos especialmente para escrever histórias, e é organizado pensando nisso.

 

Os arquivos do Scrivener não são exatamente arquivos: ele cria uma pasta com o seu livro, cheio de sub-arquivos, e abre tudo ao mesmo tempo enquanto você trabalha no seu projeto. Pode soar confuso, mas o que acontece na prática é que o programa permite ao escritor separar os pedaços do seu livro em arquivos separados, mas tudo numa janela só, permitindo fácil visualização e edição. Confuso? É, provavelmente. Dá uma olhada no jeitão do programa e vê se você entende melhor:

 

Ajudou alguma coisa?

No Scrivener, você junta os vários pedaços do seu livro no Binder, ao mesmo tempo numa janela só e em vários arquivos independentes. É possível trabalhar com pedaços curtos um de cada vez, e fazer pesquisas em todo o seu rascunho não importando o tamanho dele.

 

Além disso, ele tem uma série de ferramentas muito interessantes, como meta-dados customizáveis, sistemas de gravar versões anteriores dos arquivos, métodos de organizar as escritas que não entram no seu livro, seções de pesquisa, palavras-chave, comentários, salvamento automático de backups… Tem, inclusive, um modo de escrita em tela cheia bastante similar ao Focus Writer.

 

É uma ferramenta um pouco intimidadora de início, mas na minha experiência é incrivelmente confiável, rápida e prática. Deixa fácil organizar trabalhos longos num lugar só, fazer pesquisas e editar o trabalho, organizando os comentários. O Scrivener permite também exportar os arquivos para o formato que você quiser, seja word, mobi (para ler em Kindles), PDF e mais vários

 

Os lados negativos são poucos, mas ainda presentes: é pago (mas não sai tão caro quanto o word, por exemplo), e a correção gramatical em português é sofrível. Ele até tenta, mas a versão atual acaba marcando uma centena de palavras corretas, o que irrita mais do que ajuda. Mas, ao final, é uma ferramenta extremamente robusta, com uma centena de funções legais e opcionais (ou seja, mesmo sem entender tudo que está acontecendo é possível tirar bom proveito dele), e pelo menos para mim facilitou muito o meu trabalho. Hoje em dia tendo a escrever praticamente qualquer coisa no Scrivener.

 

Software Para Usar no Celular


Às vezes você está andando na rua e vem aquela ideia para uma história. Às vezes você está numa viagem longa de ônibus e começa a pensar que aquele pode ser um bom lugar para escrever. E, hoje em dia, nesse tipo de ocasião você muito provavelmente vai ter o seu celular. Por que não ter um aplicativo para fazer este tipo de coisa? Como eu mencionei, você pode usar o Google Docs via o seu celular, e lá você encontrará todos os seus arquivos, e poderá modificá-los não importa onde estiver. Além disso, o Scrivener tem um app para iOS, caso você tenha um iPhone. Existem centenas de aplicativos de notas, writing prompts, criadores de hábitos e várias ferramentas que podem auxiliar o escritor, mesmo que não seja para escrever.

 

Evernote

Dentre todos os aplicativos de fazer notas, creio que o Evernote continua sendo um dos melhores. Ele pode gravar áudios (muito bom para narrar aquela cena que vem na sua cabeça enquanto você dirige, se seca depois do banho, faz o jantar), armazenar fotos e comentários, guardar recortes de páginas na internet, figuras… São muitas funções, numa interface simples de usar. E, melhor de tudo, ele mantem suas notas sincronizadas entre o celular e o computador.

Usando no celular (num Android, no caso) a minha função preferida é a nota rápida. Com um Widget na tela principal, é possível rascunhar rapidamente uma ideia, sem floreios, sem abrir o aplicativo, tudo simples, instantâneo e funcionando muito bem. O meu último uso disso foi mais ou menos assim:

Tudo que escrevo no Evernote fica numa pasta “desorganizados”, para que depois, chegando em casa, eu consiga reler e classificar as minhas divagações. Muito acaba saindo do Evernote, indo para o Gdocs ou o Scrivener.

 

Writometer

Talvez você tenha ficado curioso com aquela barrinha em cima do Evernote, no começo do gif no parágrafo de cima. Este não serve para escrever, mas eu acho interessante como modo de monitorar a atividade de escrita e se motivar um pouco. O Writometer é um app simples: você seleciona o projeto que está trabalhando, uma meta (quanto você quer escrever e até quando) e ele calcula qual deve ser a sua rotina. É quase um diário pessoal, onde você anota quanto escreveu por dia, como foi aquele dia, e mantem esse registro. O programa é muito legal como motivador, para você mesmo acompanhar seu progresso e ter estatísticas legais.

 

VOLP

Também não é um software para escrever em si, mas o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa tem um app, que pode ser baixado e usado para verificar a grafia correta de quase qualquer palavra. É uma iniciativa legal da Academia Brasileira de Letras, e achei digna de nota.

 

Menções Honrosas


Uma vez ouvi que a regra de ouro do backup é que, se você tem um, você não tem nenhum.

 

Então, fica a menção honrosa a todos os serviços de armazenamento na nuvem que podem ser usados para fazer backup do seu trabalho. Eu pessoalmente uso o Dropbox e o Google Drive, integrados no computador. Salvando os arquivos dentro das pastas deles, uma cópia fica no meu HD e outra na nuvem, garantindo pelo menos alguma segurança. Eles são gratuitos, não tem muito motivo para não usar.

 

Um outro software que vale mencionar é o Sigil, especialmente feito para editar eBooks. Para quem quer se auto-publicar, é algo muito interessante a ser estudado.

 

 

Palavras Finais


Existe uma centena de softwares por aí, cada um com os seus pontos positivos e negativos, e as funções que mais se adaptam ao seu estilo de vida e de escrita. Não há nada de errado em optar por não usar nenhum deles, ficar no Word mesmo, ou até escrever à mão. Mas, se você quer uma experiência mais prática, mais produtiva e mais segura, é um esforço muito bem gasto fazer uma pesquisa, experimentar, e entender melhor as ferramentas disponíveis.

 

Ao final das contas, cada software tem seu uso específico. Você não precisa usar uma coisa só; use cada um pelas suas vantagens. Você pode escrever no Scrivener e depois passar o texto para o Word para ter uma correção ortográfica mais profunda. Pode pegar o seu texto escrito no FocusWriter e colocar no Google Docs para seus amigos lerem. Todas as ferramentas têm seu propósito.

 

Nós do Ficcionados usamos muito o Scrivener, e no artigo de semana que vem vou tentar te convencer que essa é uma boa ideia.

 

Até lá, Ficcionado, faça backup das suas coisas!

Seguir Thiago Loriggio:

Nascido em Floripa, graduando em engenharia mecânica (um curso que claramente tem grande foco em contar histórias), criativo inconsolável. Tem poucas coisas que Thiago gosta mais do que bolar alguma coisa, seja ela uma história, um projeto, um jogo, uma biografia para rodapé de site. Quando não está rabiscando no seu caderno quadriculado, anotando ideias, está lendo, jogando algo, ouvindo gêneros conflitantes de música (de The Cribs a Nujabes a Bach numa playlist só), ou percebendo que tem interesses demais. Tem um prazer especial em escrever, analisar coisas, e falar de si na terceira pessoa.Conheça o trabalho dele