Scrivener: Motivos Para Experimentar

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Escolher um bom software na hora de escrever pode te poupar bastante tempo e trabalho, além de aliviar um pouco da paranoia. Como mencinei, o meu software de escolha é o Scrivener, por vários motivos. Juntei aqui os principais, para quem sabe te convencer, Ficcionado, que vale a pena experimentar.

O jeitão do programa é esse, da imagem abaixo. Uma janela só com todo o seu projeto, seja um livro, um conto, o que quer que seja. No meio temos o texto, na esquerda o Binder, contendo as partes do texto, e na direita o Inspetor.

 

 

O Binder


 

Uma das características principais do Scrivener, que o diferencia do Word, por exemplo, é como ele divide o seu texto. Um livro inteiro pode ser escrito nele, cena a cena, dividindo as cenas em pastas. A imagem abaixo deve explicar melhor:

 


 

 

Mas o Binder não serve só para escrever o livro. Existe uma pasta-mãe que é o seu manuscrito, mas você pode adicionar outras.
Está escrevendo ficção científica, e tem muito material de pesquisa? Coloque tudo num lugar só! O Scrivener pode conter imagens, e até páginas da internet salvas dentro dele.
Tem uma ficha para cada personagem? Coloque as fichas numa pasta para os personagens!
E os ícones dos arquivos podem ser mudados, ajudando a visualizar o que é cena, o que é descrição de personagem, o que são conceitos da história… Olha só como pode ficar:

 


 

 

O Binder é uma ferramenta muito boa para organizar a sua história, e só ela, por mais simples que possa parecer, já justifica o uso do programa. Para composição e edição é muito prático cortar o trabalho em pedaços menores, e é muito útil tê-los todos numa mesma janela, tudo muito fácil de visualizar, comparar, fazer pesquisas… Muda a sua rotina de trabalho.

 

O Inspetor


Do outro lado do texto, temos o inspetor. Ele tem várias funções, selecionadas no canto superior direito. Vou citar aqui as principais:

 

Sinopse e Meta-Dados Gerais

A sinopse é onde a cena ou pedaço do livro pode ser descrita brevemente, para a sua organização pessoal. Com uma obra longa, pode ficar difícil se lembrar exatamente o que é cada cena sem ler alguns parágrafos, e isso ajuda, principalmente quando visualizando pelo quadro de cortiça (mais sobre isso adiante).

 

Os meta-dados gerais também são muito úteis para organizar os textos, marcando-os com rótulos distintos (por tipo de cena, ou por tipo de arquivo…), modificando o status do texto (Incompleto, rascunho, primeira revisão…). Esses rótulos, como boa parte das coisas, podem ser customizados como você quiser, para ajudar no método que você acha melhor se organizar.

 

Notas do Texto

Ainda há um espaço para notas específicas do texto. Isso é legal para separar bem os comentários sobre a cena, o que você achou, a opinião de outras pessoas, ou pequenos lembretes e detalhes que não cabem ao texto principal.

 

 

Meta-Dados Personalizados

Um campo muito interessante também é o de meta-dados personalizados. Aqui, você pode definir uma série de dados específicos para a cena. Eu pessoalmente gosto de ter alguns: a data e horário da cena (para não se perder na linha do tempo), o ponto de vista e o local. Esses dados são úteis para a visualização no esboçador (mais sobre isso daqui a pouco). Assim, quando a opção é selecionada, você pode colocar os dados-chave que desejar, como no exemplo:


 

 

Instantâneos

Você já editou um texto e ficou com um gosto ruim na boca, como se a versão anterior estivesse melhor? Como ter certeza sem ficar salvando várias versões do mesmo arquivo? No Scrivener, a solução para isso é a opção de instantâneos! É possível salvar várias versões do mesmo texto, para depois compará-las. As diferenças são apontadas, e você pode reverter para a versão antiga, se for o caso. E tudo no mesmo arquivo, acessível o tempo todo.

 

Essa é uma ferramenta muito interessante para a revisão, já que você pode sempre comparar as diversas versões do texto.

 

Cortiça e Esboçador


O quadro de cortiça e o esboçador são ferramentas para visualizar melhor a sua história, planejar o outline, verificar a distribuição de cenas…

 

Na cortiça, as cenas são transformadas em cartões num quadro de cortiça, e você pode ler as sinopses, ver os status de cada uma, e reordená-las. É uma ferramenta interessante para fazer um outline, colocando as cenas parecidas juntas, ou só adicionando cartões com as cenas que devem aparecer.

No exemplo abaixo, eu separei as cenas pelos caminhos que os personagens seguem e a linha do tempo, visualizando bem a divisão:

 

É um uso um tanto simplista da ferramenta, mas espero que dê pra dar uma ideia do que ela é capaz.

 

No esboçador, as cenas são dispostas em uma tabela, com dados como os meta-dados personalizáveis que você fez, o tamanho da cena, o status, e o que mais você quiser. É uma ferramenta interessante para verificar o andamento da história, o tamanho relativo das cenas, e dar uma repensada no seu outline.

 

 

 

Outras Funções


O Scrivener é cheio de funções. Nem entrei nas coleções, metas, estatísticas do texto e outras coisas, mas aqui ficam comentários rápidos sobre outras coisas legais que o software faz.

 

Modo Tela Cheia

Na hora da escrita, uma função muito legal é o modo de exibir em tela cheia, que escurece toda a tela e deixa só o editor de texto, sem nada, o que permite o foco completo no texto. É uma função essencialmente simples, mas muito bem executada.

 

Comentários e Notas Em Linha

Outra coisa legal é o sistema de comentários e notas em linha. Os comentários são feitos como em qualquer editor, mas ficam bem organizados no inspetor, e podem ser feitos em várias cores, o que eu uso para diferenciar os comentários por tipo (alguns podem ser comentários sobre dúvidas de gramática, outros podem ser relativos à trama, ou até marcando uma palavra que eu não achei suficientemente boa). Pra entender melhor, fiz um exemplo:

 

 

A função de nota em linha é especialmente útil para aqueles momentos bem inspirados, onde você não quer parar de escrever mas pensa em algum detalhe, ou quer deixar uma nota para depois. A função cria uma nota em vermelho, facilmente identificável, separada do resto do texto. Ela pode ser removida mais tarde, e, usando o atalho do teclado, você pode fazer o comentário no meio da escrita, sem tirar as mãos do teclado. Um exemplo fresco, inalterado:

Eu gosto de usar as notas em linha no momento do rascunho, quando estou com as ideias frescas na mente e voláteis, e os comentários para edições posteriores do texto. No exemplo de cima, o nome da marca que eu precisava não veio na hora. Ao invés de parar de escrever e ir pesquisar isso, eu deixei uma nota e continuei, aproveitando o momento e a empolgação. Esse tipo de coisa pode, além de tudo, aumentar a sua produtividade. Parando de escrever para pesquisar, eu podia acabar achando algum artigo interessante a respeito, e logo começa o ciclo da procrastinação…

 

Backup

Uma coisa que funciona muito bem no Scrivener é a função de auto-salvamento, que pode ser ajustada para salvar automaticamente a cada segundo de inatividade (excelente para os paranoicos de plantão, como eu). Nunca perdi mais do que algumas palavras numa situação de queda de energia ou problema repentino no programa.

 

Mas se isso não for suficiente, ainda há o backup. Você pode selecionar exatamente quanto, seja toda vez que você salva manualmente, ou fecha, ou abre o arquivo; nessas ocasiões, será gerado um arquivo zip com o backup do estado atual do seu arquivo. E o legal é que isso é salvo na pasta que você quiser. A minha dica é mandar o programa salvar isso na pasta do dropbox ou do google drive: assim, haverá sempre um backup recente do seu arquivo na nuvem.

 

Exportação

Aqui é o ponto que o Scrivener pode parecer meio esquisito. O arquivo que ele gera na realidade não é um arquivo, mas sim uma pasta cheia de coisas. Para enviar o seu texto para alguém, é necessário compilá-lo num arquivo só. Isso é um tanto esquisito à primeira vista, mas tem várias vantagens legais. Você pode facilmente compilar seu livro num arquivo de word, num pdf, num txt, ou até ebup e mobi, para ler em e-readers.

 

Mas vale a advertência: como os próprios desenvolvedores afirmam, o Scrivener não é um software para ter o texto pronto. É legal, depois de exportar, usar algum outro programa para fazer ajustes na fonte, margens, e diagramação. A ideia do software é só escrever e desenvolver a história, nada mais.

 

 

Considerações Finais


O programa até dá sugestões de como usar as suas funções, mas boa parte fica a seu critério. Achou demais ter que dar rótulos para todas as cenas? Tudo bem, não precisa. O seu livro é curto, e não valeria o esforço criar palavras-chave? Sem estresse. Use só o que for realmente útil para você.

 

Essas são só algumas das diversas funcionalidades do programa, as que, para mim, são suficientes para querer dar uma olhada. Ficou curioso? O scrivener tem um período de teste de 30 dias (usados, não contínuos), que é um bom tempo para se escrever e ver se você consegue se adaptar.

 

Há uma diferença razoável entre as versões de Mac e Pc (o Scrivener foi originalmente desenvolvido para Mac, que tem uma versão com mais funcionalidades), mas ainda este ano será lançada uma nova versão do programa, a versão três que trará novas mudanças e deixará o programa com as mesmas funções nas duas plataformas.

 

No lançamento da versão três faremos artigos com funções mais específicas, como coleções, fazer templates, procura avançada para edição, e dicas gerais, então fique ligado!

Seguir Thiago Loriggio:

Nascido em Floripa, graduando em engenharia mecânica (um curso que claramente tem grande foco em contar histórias), criativo inconsolável. Tem poucas coisas que Thiago gosta mais do que bolar alguma coisa, seja ela uma história, um projeto, um jogo, uma biografia para rodapé de site. Quando não está rabiscando no seu caderno quadriculado, anotando ideias, está lendo, jogando algo, ouvindo gêneros conflitantes de música (de The Cribs a Nujabes a Bach numa playlist só), ou percebendo que tem interesses demais. Tem um prazer especial em escrever, analisar coisas, e falar de si na terceira pessoa.Conheça o trabalho dele