Por que o Escritor Deve Ler?

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Eu li muitas dicas de escrita pela internet. Diabos, eu estou escrevendo uma coluna falando especificamente sobre esse tipo de dica. E, mesmo discordando fundamentalmente de muito do que li, certas coisas me deixaram um tanto paranoico.

 

Na correria do dia-a-dia, há alguns anos percebo que eu não leio mais tanta ficção quanto costumava. Alguns fatores contribuíram para isso, vida mais atarefada e tal, mas um dos grandes foi ter começado a escrever.

 

Parece paradoxal, não? Uma das dicas que eu mais lia era que, se você quiser escrever, você deve ler muito. Mesmo assim, com uma hora livre por dia para ou ler ou escrever, eu escolhia escrever. Uma das coisas interessantes que eu percebi é que escrever tem em mim um apelo parecido com o de ler (principalmente escrevendo sem planejamento), mas mais forte. Entre ler um livro e escrever um, eu escolho sempre escrever.

 

Recentemente eu pensei melhor a respeito da dica e comecei a ler mais. E, como eu defendo aqui, eu a questionei: por que o escritor deve ler muito?

 

Leitura (e) Crítica


As primeiras respostas vêm fácil. Ler expande seu vocabulário, te dá uma noção de estrutura, uma visão de estilo… E, quando você está acostumado a analisar suas próprias histórias é interessante ver e entender os truques que outros autores usam para fazer coisas que você mesmo pode estar com dificuldade.

 

Mas não é nesses aspectos que quero focar.

 

Como eu disse, os artigos de dicas de escrita me deixaram paranoico. Eu questionava todas as minhas ideias, aplicando uma crítica tão rigorosa que quando alguém lia e simplesmente dizia que “era ruim” eu quase ria da benevolência da pessoa.

 

As regras eram absolutas, e até cruéis. Escrever bons livros é tarefa árdua, qualquer erro que você cometa pode acabar com a sua história (e, consequentemente, com a sua carreira, no meu caso natimorta).

 

As Regras na Prática


A coisa libertadora que eu percebi quando comecei a ler mais, me forçando a arranjar tempo para isso, é que algumas coisas são permitidas. Li livros excelentes que, num momento ou outro, me fizeram parar e dizer “mas espera, ele está fazendo um negócio errado!”

 

Ler muito não é só uma forma de aprender vocabulário e estrutura, mas é também um jeito de entender que perseguir um ideal de perfeição pode ser mais danoso que positivo. Harry Potter comete atrocidades que eu via nas minhas ideias e achava impensáveis, mas os livros continuam sendo ótimos, e um dos maiores sucessos de todos os tempos.

 

Eu não estou dizendo que você não deve querer escrever a melhor história possível, mas sim que de vez em quando dá pra dar uma relaxada. Não sue frio quando percebe que uma fala de um personagem seu é um tanto clichê, relaxe mais um pouco. Não jogue tudo fora quando perceber que a sua ideia não é a coisa mais original do universo.

 

É só escrever. Experimente, vai que aquela cena que parece quebrar todas as regras possíveis imagináveis não é a coisa que torna o seu livro único? Você não tem nada a perder.

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Nascido em Floripa, graduando em engenharia mecânica (um curso que claramente tem grande foco em contar histórias), criativo inconsolável. Tem poucas coisas que Thiago gosta mais do que bolar alguma coisa, seja ela uma história, um projeto, um jogo, uma biografia para rodapé de site. Quando não está rabiscando no seu caderno quadriculado, anotando ideias, está lendo, jogando algo, ouvindo gêneros conflitantes de música (de The Cribs a Nujabes a Bach numa playlist só), ou percebendo que tem interesses demais. Tem um prazer especial em escrever, analisar coisas, e falar de si na terceira pessoa.Conheça o trabalho dele