Experiência NaNoWriMo – Semana 4

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Thiago: E, como fizemos este mês inteiro, aqui está o nosso último post com a experiência do NaNoWriMo! Ok, o mês só acaba amanhã, mas, pelo menos pra mim, amanhã vai ser o dia de relaxar e dar uma pensada em como foi essa coisa de escrever tanto em tão pouco tempo. E pra você, Kaio?

 

Kaio: Esse fim de semana eu consegui recuperar minha entrada tardia. Enquanto escrevo isso, tô a 3 mil palavras de bater o desafio e ainda tenho as sessões de hoje e de manhã.

 

Embora chegue nas 50 mil, o livro acabou ganhando um pouco mais de vida do que previ, então não vou conseguir fechar ele. Prevejo mais umas 10 mil palavras para matar a história.

 

O roteiro ainda tem um detalhe ou outro que não me agrada e isso vai ser a primeira coisa que vou atacar na edição. Tem também outros detalhes que precisam de pesquisa, e que passei por cima para me manter nas metas diárias.

 

No fim, acabei seguindo mais as diretrizes do NaNo do que pensei que faria. Isso vai me render um trabalho extra para polir as coisas, mas foi uma ótima experiência. 🙂

 

E você, Thiago?

 

Thiago: Bom, ontem eu terminei o livro. Quer dizer, “terminei” é um termo forte; eu terminei um primeiro rascunho, que, com muita sorte, deve fazer sentido pra alguém além de mim. Acabou na marca das 63 mil palavras, num semi clímax bem esquisito. Ah, só de pensar no quanto vou ter que reescrever… Eu já achava que eu era capaz de desligar o editor interno na hora de escrever um primeiro rascunho, mas o NaNo me ensinou a levar isso a outro nível. Nunca escrevi algo tão cru. Acho que, como muitos não planejadores, o que saiu foi mais um outline super detalhado do que um livro pronto. Mas a história tá lá! É só lapidar!

 

Mas bom, Kaio, o NaNo foi isso aí. Como sempre falamos por aqui, o importante desse tipo de desafio, seja escrever um livro em um mês, ou em um ano, ou tentar manter uma meta fixa, é experimentar. Ver o que dá certo pra você, e tentar aprender com a experiência. E aí, o que você aprendeu com o NaNoWriMo?

 

Kaio: O que eu mais treinei, de longe, foi esse lance de escrever sem revisar. E, beleza, consegui me convencer de que consigo escrever mais palavras por hora do que achava. Isso para ser aplicado em uma sessão de escrita é excelente! Mas para ser sustentado durante todo o livro…

 

Assim, teve vários dias que eu tava com uma ideia legal para reescrever uma passagem, mas acabei só dando uma anotada por cima porque precisava aumentar a contagem. Aí é quando eu acho que a coisa deixa de ser vantajosa.

 

É claro que para experiência do NaNo isso foi tranquilo; entrei nele na brincadeira, sem muita pretensão de resultado. Mas para ser levado como regra pros outros meses, acho que não… Prefiro revezar entre sessões de criação e de revisão. 😛

 

Também reafirmei minha preferência pelo planejamento e reduzi aquela inércia entre ter a primeira ideia e ter o primeiro capítulo escrito. Isso pode parecer sem importância, mas eu ficava romantizando minhas ideias por um tempo antes de me convencer a colocar elas no papel. E pular essa etapa me deu uma sensação bacana, do tipo “nossa, olha só, eu já tenho isso aqui feito, algo que semana passada não tinha nem ideia do que seria…”

 

É isso aí, esses foram os dois pontos principais que diferenciaram a experiência NaNo das que eu tinha tido até então. E como foi com você, Thiago?

 

Thiago: Acho que a coisa mais importante é que eu descobri que, por mais que eu planeje muito pouco, uma coisa que eu tenho que fazer é planejar os personagens e o mundo. Sem isso, sem algumas regras básicas claras, acabo me confundindo, e a qualidade do trabalho, como um todo, cai. Nessa história que escrevi mudei as regras no meio do jogo várias vezes, e agora vou ter que voltar e analisar muito bem tudo, e entender tudo certo. Por “regras do jogo” digo detalhes sobre o mundo, as motivações e personalidades dos personagens, etc.

 

Descobri que, por mais que o plot em si eu adore ir descobrindo, ter personagens e mundo antes de começar me fazem mais produtivo, e satisfeito com as minhas histórias. Acho que, com as anteriores, como eu ficava muito tempo matutando as ideias antes de escrevê-las, acabava saindo com mais naturalidade. No NaNo, eu criei tudo na hora, e isso não me travou, mas me deixou com a impressão de que, com um pouco mais de planejamento, eu conseguia ter não só escrito um livro melhor, mas me divertido mais no processo. Acho que, por si só, já foi uma lição valiosa.

 

Esse tipo de coisa é uma jornada de auto-descoberta, mesmo que em baixa escala. Se você acha que vai se divertir escrevendo um livro, se quer tentar virar escritor, o NaNoWriMo é um excelente lugar para aprender se você gosta ou não de escrever.

 

E essa foi a nossa experiência neste mês escrevendo! Esperamos que vocês tenham curtido estes artigos, um pouco diferentes dos usuais. Até ano que vem!

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Nascido em Floripa, graduando em engenharia mecânica (um curso que claramente tem grande foco em contar histórias), criativo inconsolável. Tem poucas coisas que Thiago gosta mais do que bolar alguma coisa, seja ela uma história, um projeto, um jogo, uma biografia para rodapé de site. Quando não está rabiscando no seu caderno quadriculado, anotando ideias, está lendo, jogando algo, ouvindo gêneros conflitantes de música (de The Cribs a Nujabes a Bach numa playlist só), ou percebendo que tem interesses demais. Tem um prazer especial em escrever, analisar coisas, e falar de si na terceira pessoa.Conheça o trabalho dele