Como Publicar um Livro

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Ok, você quer trabalhar naquela ideia bacana que teve para um romance; talvez já tenha até começado a escrever, ou ainda nem sabe por onde começar. A publicação do livro mesmo, é um mistério.

 

Assim que você tiver uma versão alfa, quem deve lê-lo? Como conseguir opiniões? Ou assim que tiver o manuscrito pronto, quais os passos a tomar? Com quem entrar em contato? Deve sair distribuindo ele para todas as editoras que encontrar? Há algo mais a ser feito além disso?

 

O propósito deste artigo é não só esclarecer essas perguntas, mas, principalmente, apresentar um esqueleto do caminho que culmina na publicação, um mapa que aponte para vários outros artigos que já foram ou serão escritos.

 

O que virá a seguir será, então, uma forma de organizar as informações distribuídas aqui no blog.

 

(Primeira vez por aqui? Saiba mais sobre o projeto)

 

Além disso, estou escrevendo este artigo pensando em alguém que seja um escritor iniciante sem contatos e sem audiência. E, mesmo nesse caso, o que vem aqui é apenas uma ideia para aqueles que estejam perdidos em meio a esse mundo editorial e não uma receita de bolo intransgressível.

 

(Desmotivado com o mercado nacional? Dê uma olhada aqui)

 

Certo, então vamos do começo.

 

Escrevendo


O foco deste artigo está em levantar as etapas importantes pelas quais seu livro deve passar antes de chegar à publicação. Mas se, ao invés delas, você estiver interessado no planejamento da história e procurando por dicas de roteiro e forma, dá uma checada em “Como Escrever um Livro“.

 

Ao longo da jornada, você pode se sentir inseguro. Isso é normal, apenas continue em frente. Mas se as inseguranças estiverem lhe paralisando, dá uma olhada em:

 

Como Lidar com As Inseguranças na Hora de Escrever

A Jornada do Escritor

O Caminho da Escrita: 9 Lições de um Samurai Aplicadas à Arte de Escrever

Por que o Escritor deve Ler?

 

O Esboço

Antes que você comece a escrever há algo a ser pensado: a própria história, é claro.

 

No entanto, pode ser que você seja um aventureiro que se agarre a um tema que lhe seja muito quisto e simplesmente comece a despejar palavras no papel. E não há nada de errado com isso.

 

Apesar de haver uma necessidade de planejar a história, cada escritor possui a sua quota de planejamento. É mesmo preciso ter uma ficha detalhada de todos os seus personagens? De todos os cenários? Um planejamento de todas as cenas antes mesmo de escrever uma sequer pra valer?

 

Eu prefiro construir uma história montada em cima de um esboço, enquanto o Thiago aqui do blog prefere descobri-la enquanto escreve. Nenhum está mais certo do que o outro.

 

Comece com o Outline

Esqueça o Outline e Só Comece.

 

 

Primeiro Rascunho

Aqui está a essência de tudo o que foi e será discutido. Esse é o bloco primordial da sua história, a pedra-base que dará forma às suas ideias. Porém, ao contrário dos escultores com seu mármore, não podemos comprar um bloco pronto. Nós escritores precisamos confeccionar nosso próprio.

 

Injusta ou não, a analogia foi feita para que você não se apegue ao seu primeiro rascunho como se ele já viesse na forma de Davi. Primeiros rascunhos são ruins e não é à toa que são chamados de “primeiros”.

 

O fruto dessa etapa é apenas o texto escrito. Então foque em colocar as palavras para fora, do jeito que for.

 

Mais sobre o hábito de escrever na série Desbloqueando a Escrita.

Como Escrever Sem Inspiração

Como Adquirir o Hábito de Escrever Diariamente

Como Vencer a Resistência e Tornar-se um Profissional

11 Atitudes para Superar o Bloqueio de Escritor

Técnicas de Produtividade

 

 

Revisando

Não basta colocar um ponto final e achar que sua história está pronta. Como disse logo acima, a única coisa que se tem ao terminar uma primeira versão é a pedra-base do seu texto.

 

Releia o que você escreveu e é provável que capte alguns erros, sejam tipográficos, ortográficos ou sintáticos. Pode ser também que ao reler você perceba algumas falhas lógicas de roteiro ou problemas de continuidade.

 

O desafio aqui não é pegar tudo, mas pegar o que conseguir. Se nem mesmo você se der ao trabalho de ler o que escreveu com atenção, não deve esperar que outra pessoa o faça…

 

Dá uma olhada no que já publicamos sobre revisão:

Cortando 10% do Seu Livro

Perguntas para se Fazer Durante a Revisão

 

Recebendo as Primeiras Críticas

Ótimo, é aqui que as coisas começam a ficar mais divertidas. O primeiro rascunho revisado é a sua versão alfa.

 

Peça para alguns amigos darem uma olhada no que você escreveu e peça um opinião sincera. Diga para eles apontarem possíveis erros.

 

Lembre-se que seu texto não é nenhum Davi ainda e aceite o que for dito. Aprender a receber críticas é fundamental para uma carreira de escritor. Se você não conseguir lidar com os seus amigos, é ainda menos provável que consiga lidar com um editor.

 

Caso você tenha também um amigo que goste de escrever, vocês podem montar um grupo de críticas em que um avalia o trabalho do outro. Isso é, sem dúvida, algo que merece uma atenção apropriada.

 

Os Benefícios de Um Grupo de Escrita

Como Dar e Receber Críticas

 

Editando

Munido de opiniões de outras pessoas, é provável que você tenha enxergado sua história com olhos um pouco diferentes. Agora está na hora de editá-la.

 

Mais do que uma revisão, aqui é o momento em que você irá deletar passagens ou cenas desnecessárias, desenvolver melhor aquele conflito ou aquele personagem importante, reescrever trechos que ficaram confusos, em suma, consertar a história como um todo.

 

É o início de uma lapidação mais refinada para que aquilo que você está efetivamente comunicando aproxime-se daquilo que estava em sua mente.

 

Lançando uma versão Beta

Após essa etapa de edição você tem uma versão beta. Consiga mais alguns leitores (até os mesmos da versão alfa se eles toparem) e colete mais críticas. Então volte e edite mais uma vez.

 

Você pode ficar repetindo essas últimas etapas até achar que sua história esteja boa, mas isso é uma opinião muito subjetiva. Não há nenhuma regra que diga algo como “após três edições ela estará pronta”.

 

Entretanto, acho que, após a versão a beta, a hora é boa para você já ter tomado uma importante decisão.

 

Publicando


O que exatamente você vai fazer com o seu manuscrito depende da maneira como você pensa em publicar o seu livro. As opções são:

 

Publicação Tradicional

Aqui você terá que correr atrás de uma editora que aceite publicar o que você escreveu.

 

Colocando de uma maneira resumida: você não terá que arcar com nenhum custo, todo o resto do processo editorial não será sua inteira responsabilidade e, em troca, você receberá uma fração do valor de capa por livro vendido (o que costuma ser uns 10%).

 

Agora preste atenção em dois detalhes que precisam ser levados em consideração:

 

  • Cada editora possui uma linha de publicação; se você acabou de escrever uma fantasia urbana, não adianta enviar o manuscrito para uma editora que só publica livros clássicos. Então dê uma pesquisada nas opções e nos selos editoriais – a Novo Conceito, por exemplo, possui o selo Novas Páginas voltado a talentos nacionais e Novas Ideias voltado a negócios.

Indico aqui o site do Bruno Crispim, lá você encontra uma lista das editoras nacionais.

 

  • Não ignore o marketing. Apenas porque você fechou contrato com uma editora grande, não significa que eles precisam divulgá-lo. Claro, quando o acordo é fechado, ela está assumindo um risco. Ainda assim, não espere que ela vá gastar grandes somas promovendo o seu livro.

Pelo sim ou pelo não, é sempre bom o autor se preocupar com seu marketing pessoal. Nem todo marketing é uma propaganda para vender um produto, e trabalhar no que os marketeiros chamam de branding é uma boa medida.

 

Publicação Independente

O outro lado da moeda é você publicar seu livro por sua conta e risco.

 

Nesse caso, antes de mais nada, você precisa vestir o capuz do empreendedor. Precisa estar preparado para liderar você mesmo e as eventuais pessoas envolvidas no processo e, principalmente, para tropeçar ao longo do caminho, não uma, mas várias vezes.

 

Como todo o resto do processo editorial estará nas suas costas, há muito o que ser dito aqui. E há, obviamente, custos envolvidos. Você não só bancará a impressão, mas também terá que contratar outros profissionais (alguns serão citados mais abaixo); isto é, a menos que você seja algum Magaiver.

 

Além disso, se pela publicação tradicional eu disse que você deveria se preocupar com o marketing, meu amigo, aqui isso precisa ser tratado com sua mais aguda atenção, sua mais profunda sensatez e o seu mais gélido pragmatismo.

 

Hmm… e as vantagens são…?

 

Primeiro, você não precisa depender de alguém para aprovar o que escreveu (claro, esse é também um dos fatores que fazem o risco ser alto). Segundo, o lucro é todo seu (nada mais justo após tanta dedicação e suor).

 

Mas calma, ficcionado. Como falei, essa é uma decisão importante e que necessita tempo para ser maturada. Você não precisa tê-la escrita em pedra antes de começar seu manuscrito, dê tempo as ideias e faça algumas pesquisas.

 

Nós aqui iremos ainda disponibilizar uma série de artigos destinados à publicação independente em um futuro próximo. Essa é uma das nossas principais propostas com o blog. 🙂

 

Contudo, se você ficou um pouco apreensivo, já deixo aqui algumas possibilidades para minimizar o risco da publicação independente:

 

  • Você pode optar por lançar apenas a versão digital, o que elimina os custos de impressão. Há bons sites para isso, porém serão discutidos em outro momento.

 

  • Você pode optar pela impressão sob demanda, ou seja, apenas quando houver um pedido de compra é que a prestadora de serviço irá imprimir um exemplar. Nesse caso você elimina o risco de ter um grande estoque de livros já impressos e pagos a serem vendidos, porém o custo pago por unidade será bem maior (e, consequentemente, menor a sua margem de lucro).

 

Então após a versão beta…

Caso opte pela publicação tradicional, você já pode começar sua caçada em busca de uma editora que aceite seu manuscrito. Isso leva tempo e cada uma tem regras e prazos próprios.

 

Caso opte pela publicação independente, você já pode começar a se organizar para ir atrás de uma prestadora de serviço, sabendo que algumas já oferecem profissionais para fazer o processo editorial necessário (porém são pagos à parte e, caso queira, você pode dispensar a oferta e contratá-los por fora).

 

A saber, alguns desses profissionais importantes para se ter uma boa versão final de um livro são:

 

Leitor Crítico: como o nome sugere, ele irá apenas lhe oferecer sua opinião crítica a respeito do livro. Um editor também faz isso, porém estou citando o leitor crítico aqui, pois este é um serviço que pode ser contratado lá nas primeiras versões do seu manuscrito (mesmo que você vá para a publicação tradicional). Se você tiver dinheiro para investir, vale a pena ouvir a opinião de um profissional.

 

Editor: para a publicação tradicional, é por esse cara que seu manuscrito irá passar primeiro (e por último, caso seja rejeitado). Para a publicação independente, esse é o primeiro profissional que você deve contratar. O editor irá ler e avaliar o seu trabalho, irá apontar as falhas, cortar o desnecessário e sugerir melhorias. Ao meu ver, o editor é um leitor crítico com liberdade para mexer no que você escreveu (com certos limites, é claro).

 

Revisor: esse daqui irá procurar por erros gramaticais e tipográficos. Mesmo após tantas edições, é bem provável que um ou outro erro tenha se escondido por aí.

 

Diagramador: esse é o que vai cuidar da formatação do seu texto, ou seja, a maneira como as palavras vão se encaixar nas páginas. Mas não pense que o diagramador é simplesmente aquele que vai definir um tamanho para sua fonte e um espaçamento; ele também cuida de aspectos do design, como ter parágrafos sem viúvas, órfãos ou dentes de cavalo.

 

Ilustrador: todos dizem que não devemos julgar um livro pela capa, mas inevitavelmente é isso o que fazemos. A capa é geralmente o primeiro contato que o leitor tem com um livro e se ela não for boa o bastante para despertar sua atenção, bem, é um leitor a menos. A responsabilidade desse profissional é grande e eu já ouvi escritores independentes dizendo que se for pra investir pesado em alguém, o ilustrador é o cara… Fica a reflexão.

 

Há também os agente literários. De maneira simples, eles são os profissionais que auxiliam o contato escritor-editora, porém esse é um tipo de profissional escasso e controverso aqui no Brasil. Nessa conversa, Laura Bacellar fala melhor sobre quem eles são e porque há tão poucos por aqui.

 

Concluindo


Escreva, revise, edite, contrate os profissionais relevantes, reescreva mais um pouco (ou muito), imprima seu livro e trabalhe em seu marketing… Falando assim até parece simples.

 

Eu estou no meio desse caminho e tem muita coisa que ainda desconheço sobre o processo editorial. Conforme for descobrindo esses mistérios, vou compartilhando aqui no blog. Tão logo meu primeiro livro saia, vou ter uma noção melhor dos meus erros e dos meus acertos, e irei contá-los a vocês, ficcionados.

 

Lembrem-se que esse artigo é o esqueleto de muitos temas que serão discutidos. Então irei acrescentar aqui referências aos novos artigos tão logo eles sejam publicados.

 

Mas e aí, em que parte você está?

Seguir Kaio Gabriel:

Natural de Floripa, curioso pelos mistérios da natureza e da vida por ela guardada, amante de histórias com graduação em engenharia mecânica, rabiscador de versos calculista. Desenha com mais vontade do que habilidade, faz trilhas esporadicamente, curte um bom rock clássico e toca violão para as paredes. Adepto ao minimalismo ainda com tralhas a serem jogadas fora na próxima mudança. Jogador de RPG de mesa quando possível, mas se contenta sendo o narrador. Aos fins de semana, também gosta de levantar debates filosóficos sofistas. Blog Pessoal