Como Preparar o seu Livro para Autopublicação (parte 2)

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Continuando com o artigo anterior, hoje vamos falar das páginas iniciais do seu livro, um pouquinho sobre formatação, e algumas dicas gerais. Vamos lá!

As Primeiras Páginas


Um livro nunca começa na história, não é mesmo? Em livros impressos temos algumas páginas antes, informações sobre o autor, agradecimentos, copyright, dedicatória… E, na hora de autopublicar o seu, não seria diferente. O conteúdo dessas primeiras páginas varia muito, então vou me ater às mais básicas, que todo o livro deveria ter. Elas são, na ordem que devem aparecer:

  • Capa;
  • Folha de rosto;
  • Página de copyright;
  • Índice
  • Dedicatória

Cada uma dessas páginas deve ser isolada, separada por uma quebra de página, não se esqueça disso. É bem simples inserir uma quebra de página no Word, no Scrivener ou no software de sua preferência. Vamos agora falar de cada uma com mais calma:

 

Capa

A primeira página do seu livro deve ser a capa, claro. Fazer uma capa, por si só, é um tópico que merece no mínimo um artigo inteiro, então vou condensar em alguns pontos:

  • Tenha uma capa. Nem considere não fazê-lo;
  • Procurando pelo google você acha vários capistas. Se tiver dinheiro, e quiser investir em uma capa profissional, pode valer a pena! É um ótimo jeito de chamar a atenção de potenciais leitores, e de dar uma cara bem profissional para o seu livro. Contate um capista e peça um orçamento;
  • Se você não tiver condições financeiras ou simplesmente não quiser fazer isso, não é tão difícil assim criar uma capa razoavelmente legal. Existem várias ferramentas online interessantes, como o Canva, que te permitem fazer capas legais usando imagens gratuitas. Algumas plataformas podem te auxiliar com isso: colocando um livro na Amazon, por exemplo, você tem a opção de criar sua capa na hora da publicação, usando as ferramentas que a própria plataforma disponibiliza (aliás, um parêntesis: se for colocar o livro na Amazon, não coloque a capa no arquivo, a capa é adicionada em uma etapa posterior. Lembre-se da regra de ouro que falei no artigo anterior).

 

Folha de rosto

 

Essa é a parte mais simples: uma página com o título e subtítulo do livro, o nome do autor, e… É isso aí. Você pode adicionar o ano da publicação, o local e o selo editorial, mas isso não é uma necessidade. Como tudo desta lista, é legal procurar alguns exemplos até entender mais ou menos o jeitão da coisa.

 

Se você tiver uma capa, você pode usar o título usado na capa (o lettering) como sua folha de rosto, como várias publicações fazem.

 

Deixe as informações centralizadas na página, separe um pouco, insira uma quebra de página e vá para a próxima.

 

Página de Copyright

 

Esta também é uma página simples, onde você deve colocar informações básicas de copyright do seu livro. O começo dela é algo como:

 

Copyright © 2018 de [seunome].
Todos os direitos reservados. Este ebook ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor, exceto pelo uso de citações breves em resenhas e afins.

 

Aqui também é a hora de dar crédito às outras pessoas que trabalharam no livro, como capistas, revisores, etc. A prática comum é colocar a função da pessoa em itálico seguida do nome, algo como:

 

Capa: Fulaninho da Silva
Revisão: Beltraninho Souza
Diagramação e Ilustrações: Siclana Lima

 

E é aqui que vai o ISBN, né? Eu preciso fazer um?

 

Bom… Depende. Se você quiser lançar o seu livro na Amazon, ou no seu próprio site, não. Creio que a maioria das plataformas online não exigem ter um ISBN, mas lembre-se da regra de ouro. Se você quiser imprimir o seu livro, é legal fazer um; o ISBN é, afinal de contas, uma ferramenta de catalogação. Para vender um exemplar físico em lojas, é uma necessidade.

 

Sendo necessário ou não, dá pra fazer: o ISBN é fácil de ser feito, e fica pronto em alguns dias. Sendo um autor independente, você precisa primeiro fazer um cadastro de editor (que custa 250 reais) para depois pedir o ISBN do livro (que custa 20 reais). Ou seja, a primeira vez dói no bolso, mas depois é bem baratinho. As instruções no site oficial da agência brasileira do ISBN são bem claras, e é tudo feito por lá, sem necessidade de imprimir documentos ou enviar pelo correio. Diferente do registro na biblioteca nacional, aqui é necessário ter a versão final da sua obra, já que cada edição dela deve ter um ISBN diferente.

 

Ter um ISBN também é um jeito legal de valorizar a sua obra: você se deu ao trabalho de fazer isso, é um atestado do seu comprometimento para fazer um livro o mais profissional possível.

 

E aquele negócio de ficha catalográfica?

 

Abrindo um livro impresso, você já deve ter se deparado com isso: uma série de números, algumas letras, algo como:

Isso é a chamada ficha catalográfica. Como seu uso é muito relacionado com organização das obras dentro de uma biblioteca, para um ebook ela não é nada necessária. Mas quem sabe esse mesmo ebook tenha uma versão física, de forma que essa página acabe aparecendo também no arquivo digital.

 

Diferente do ISBN, a ficha catalográfica não deve ser pedida ou coisa assim: você mesmo pode montar a sua, achando os números corretos dentro das tabelas.

 

Para fazer isso, você pode seguir este modelo:

[citação] [notação do autor] [Sobrenome], [Nome], [Ano de nascimento do autor] – [Ano de falecimento do autor] [Título do livro] / [Nome completo do autor]. – [Local]: [editora], [ano].
[Número de páginas]

ISBN: [número do ISBN]

1. [Assunto geral]. 2. [Assunto específico]. I. Título

CDD: [número CDD] CDU: [Número CDU]

 

Substitua as partes entre chaves (e só elas) pelas informações corretas, tomando cuidado para deixar os espaçamentos como aqueles na imagem que usei de exemplo, com os dados preenchidos. Falando brevemente de alguns dos campos:
 

  • A notação do autor é um conjunto de letras e números, montado da seguinte forma: Primeira letra do sobrenome do autor em maiúsculo + número da tabela de Cutter-Sanborn correspondente ao sobrenome do autor + primeira letra do título do livro. O número da tabela é composto de três algarismos, e pode ser gerado aqui;
  • Se o autor for vivo, deixe o ano de falecimento em branco;
  • A parte de número de páginas deve seguir o formato “200 p.”, por exemplo. Se for um ebook (onde número de páginas é uma noção um tanto quanto fútil), escreva “recurso digital”.
  • O CDD e o CDU são códigos de catalogação. O CDD é relativo ao assunto da sua obra, e pode ser consultado aqui. O CDU, por sua vez, é bem mais complicado. Você pode usar uma tabela como esta para elaborar o seu, enquanto creio que se você quiser ter certeza que está fazendo a coisa certa recomendo estudar isso aqui.

 
Principalmente para livros impressos, a formatação é muito importante: a notação do autor fica à esquerda, numa coluna só dela, e as linhas abaixo do nome do autor devem começar a partir da quarta letra do sobrenome do autor (meio confuso, né? Dá uma olhada na imagem que fiz de exemplo, nela tá certinho). Além disso, a ficha toda deve estar contida num retângulo de 7,5 por 12,5cm. Lembre-se, só mude as partes entre chaves. Depois do assunto específico é pra deixar “título” mesmo.

 

Montar essa ficha é com certeza a coisa mais complexa e cheia de detalhes deste artigo inteiro. Aprendendo a fazer isso, eu mesmo encontrei várias fontes, muitas vezes contraditórias, sobre isso. Vale fazer mais uma pesquisa, e olhar mais exemplos, para ficar seguro do que está fazendo.

 

As linhas abaixo do nome do autor devem começar na direção da quarta letra do sobrenome. É ideal usar uma fonte monoespaçada, ou seja, uma fonte cujas letras e caracteres ocupam o mesmo espaço horizontal. Seguem-se título, novamente a autoria, editora, ano e número de páginas.

 

Na página do copyright, ainda, é interessante (principalmente para o autor independente) colocar links para contato, como site pessoal ou redes sociais.

 

Índice

 

Incluir uma página com um índice não é mandatório, tanto para livro impresso quanto para ebook, ainda que apareça em muitos livros (principalmente em formato digital). Classifiquei esta parte como mandatória porque para ebooks, principalmente aqueles que serão lidos em e-readers, é bastante importante que você, pelo menos, separe seu livro em sessões.

 

Para um ebook, é importantíssimo que exista um índice no arquivo, de forma que o leitor consiga saltar para capítulos específicos sem precisar passar por todas as folhas.

 

No Word, esse é o mesmo processo usado para fazer um índice automático, daqueles que você consegue atualizar a referência das páginas e ir direto para elas. Se você já não está fazendo isso no seu livro, vale a pena dar uma estudada em como dividir o seu trabalho em seções no software que você usa para escrever.

 

Dedicatória

 

Por último, a dedicatória. Bem simples, página só para ela. É comum ver a dedicatória alinhada à direita, cortada de forma a conter algumas linhas com três ou quatro palavras em cada.

 

Lembre-se de quem você tinha em mente quando escreveu o livro, quem foi crucial para o processo, ou quem você espera que goste do livro.

Formatando seu Ebook


Depois das páginas iniciais, é hora do seu livro começar! Muitos programas de montar ebooks oferecem opções para começar o livro depois delas: assim, quando um leitor abre o arquivo, ele não tem que pular a capa, folha de rosto, etc.

 

Falando um pouco do texto em si, aqui estão alguns pontos básicos a se lembrar, independente da plataforma:

  • Lembre-se de separar o livro em sessões. Não só pela coisa do índice, mas também porque é esperado que as as divisões da sua história, como os capítulos, tenham quebras de página no final. Assim fica mais fácil para o leitor saber qual o bom momento de dar uma pausa, e também de ter algum senso de progresso (supondo, claro, que você não seja super experimental e escreva seus romances em capítulos);
  • Deixe espaçamento no final dos parágrafos. Essa é uma dica básica de deixar um texto mais fácil de ler, já que assim o leitor consegue separar melhor o texto em pedaços a serem lidos. Não precisa colocar muito espaço, por favor não coloque tanto quanto neste artigo que você está lendo, mas um pouco, o suficiente para ser notado. Experimente um pouco, veja o que te agrada mais;
  • Seja consistente com formato de títulos e subtítulos, numeração e etc. Se o seu primeiro título está todo em letra maiúscula e em negrito, deixe todos nesse formato. Escolha um padrão para a sua obra e fique com ele;
  • Dê uma olhada em publicações profissionais e perceba os pequenos detalhes. Uma prática comum, por exemplo, é começar capítulos com algumas palavras numa fonte diferente (como faked small caps), para dar algum destaque a elas. Pode ser interessante aplicar algo desse tipo na sua história
 

Páginas Finais


Depois que o seu texto acaba, que você escreveu FIM, acaba o arquivo? Bom… Talvez.

 

Uma coisa que não é tão comum para livros impressos mas é muito interessante para autopublicação é adicionar uma página no final com algumas palavras do autor.

 

É um jeito legal de falar com o público, mostrar apreço pelo leitor que chegou até o final do seu livro, falar um pouco do projeto e mostrar-se próximo, alcançável, humano. Também é um bom lugar para falar de outros projetos, divulgar seu trabalho, e pedir um pouco de ajuda para continuar escrevendo.


Espero que este artigo tenha sido útil! A ideia era dar um apanhado geral e compreensível do que eu mesmo aprendi pesquisando essas coisas enquanto preparava minhas próprias publicações. Pode parecer bastante trabalho (principalmente para quem já escreveu e revisou um livro inteiro) mas não desanime!

 

Aparência é importante. Um leitor pode não se interessar pela sua história se achar que ela tem um jeitão muito amador. Primeiras impressões são muito importantes. Não tire as chances do seu livro sendo apressado para publicá-lo: seja paciente, calmo, pense tudo com cuidado.

 

Se você ficou com dúvida em algum ponto ou queria mais detalhes sobre algo, comente! Pode escrever nos comentários aí em baixo, enviar um e-mail para contato@ficcionados.com.br, ou falar com a gente pelo Facebook.

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Nascido em Floripa, graduando em engenharia mecânica (um curso que claramente tem grande foco em contar histórias), criativo inconsolável. Tem poucas coisas que Thiago gosta mais do que bolar alguma coisa, seja ela uma história, um projeto, um jogo, uma biografia para rodapé de site. Quando não está rabiscando no seu caderno quadriculado, anotando ideias, está lendo, jogando algo, ouvindo gêneros conflitantes de música (de The Cribs a Nujabes a Bach numa playlist só), ou percebendo que tem interesses demais. Tem um prazer especial em escrever, analisar coisas, e falar de si na terceira pessoa.Conheça o trabalho dele